Cristãos Livres Para Pensar

"E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar." (Eclesiastes 1:13)

1 de setembro de 2014

A gosto de Deus? Sobre Politicagem e Numerologia na Lagoinha...

Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas. (Mat. 7.12)

Quando se trata de abordar falhas na homilética alheia, certos membros da IBL (Igreja Batista de Lagoinha) são categóricos e ufanam: “aqui em nossa igreja só se prega a Palavra de Deus pura e não somos casa de comércio”. Se no passado criticamos as profecias políticas de Neuza Itioka (ver aqui), manteremos a coerência. Vejamos o que ocorreu ontem, dia 31, último domingo deste turbulento mês de Agosto, na IBL.
{É importante deixar claro que as igrejas, através de seus líderes, podem tomar partido por alguma causa não necessariamente religiosa, desde que sejam honestos e transparentes com as pessoas que ali se reúnem (postura ética que eles mesmo cobram de seus membros), os mesmos que sustentam o funcionamento daquela instituição.}

O que podemos dizer é que foi um comércio acintoso de opinião e influência, uma venda daquelas em que o vendedor faz de tudo para dar a ilusão de que o comprador é o mais interessado. E pior: usando a Bíblia e mesmo Deus em argumentos sutis e forçosamente espiritualizados. Faltando cerca de 40 dias para as eleições, o nobre pastor Gustavo Bessa escolhe pregar sobre o número 40, empreendendo um esforço hercúleo para não transparecer o que realmente estava fazendo:  propaganda política eloquente em cima das páginas da Bíblia, com direito a se servir de todo argumento teológico possível.

E a maior surpresa, que não foi coincidência, se verifica no jornal Atos Hoje (31/08/14 – tiragem: 20.000), onde existe um editorial do Pr. Atilano Muradas tratando do mesmo assunto, aí de forma mais acintosa e direta, com argumentos teológicos tão pífios que causam vergonha alheia. Mais explícito do que sr. Bessa, ele solta, a esmo, ocorrências do número 40 na Bíblia, sem tratar do valor individual de cada uma delas, passando a fazer uma análise tão meramente numerológica, que chega ao ponto de dizer: “e ainda há os múltiplos de quarenta”, passando a incluir, inexplicavelmente, os números 4, 400 e 4000.


Abruptamente, as premissas do editor se voltam para sua experiência pessoal, “quando, por exemplo, olho minha vida, percebo ciclos de 4, de 7, de 10, de 12 anos, e um de 40 – que espero se repita”. E pasmem com sua contradição lógica: “os números em si não tem influência, pois o controle de nossas vidas tem origem em Deus”. Então, o ilustre pastor começa a fazer propaganda e anti-propaganda política gratuita, sem a postura ética suficiente para admitir a seus leitores que ele (e seu jornal) está fazendo militância política pró Marina Silva (PSB).

Uma das coisas que chamam a atenção em seu texto é a afirmativa de que o crescimento do Brasil é resultado do crescimento de evangélicos “o progresso veio proporcional ao número de evangélicos”, um engano simplista e infantil, comprovado por ele mesmo no texto, pois já havia criticado a escalada de violência e a falta de ética/moral no país, que se alastram na população e em todos os governos, e que deveriam supostamente ser reduzidas dado o aumento de pessoas que se dizem discípulos de Jesus. Será mesmo o número de evangélicos que conta? 
E dizer que nos EUA os governos são evangélicos, e por isso mais justos e éticos? Não brinque com a inteligência alheia! Outra coisa é a velha manobra do versículo de Provérbios 29.2, sobre os “justos governarem”, assunto para o qual temos um post específico, clique aqui.


E fica para o final a parte mais assustadora de seus argumentos: “carecemos de ditaduras do bem”. Ora, meu caro Muradas, você surtou? Não carecemos de ditadura nenhuma, o Brasil engatinha numa democracia desde 1988, e nela as pessoas precisam ter respeitado seu direito de escolha. Se você quer fazer militância política, a democracia atual o permite, mas não queira impor suas ideias, e não envergonhe os cristão ao usar a Bíblia Sagrada, ou mesmo Deus para incutir seus posicionamentos nas pessoas. Cadê a ética de vossas senhorias? 
Querem fazer política? Realizem encontros com seus membros, sem essa espiritualização forçada, e isso não implica excluir Deus, e discutam a política do Brasil como um todo, dando chances aos eleitores e inclusive aos representantes das candidaturas de Aécio Neves, Pastor Everaldo, Dilma Roussef, e mesmo de Marina Silva e os outros, para debaterem assuntos de forma mais transparente, justa e participativa. Caso contrário, vocês estão fazendo apenas politicagem e vendendo ideias de forma injusta, fazendo aos outros o que não gostariam que fosse feito a vocês mesmos. 


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