Cristãos Livres Para Pensar

"E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar." (Eclesiastes 1:13)

4 de setembro de 2014

Sobre Números e Numerologia nas Igrejas

Sabemos que, como consta na Bíblia, Deus comunicou aos homens muitos de seus propósitos através de símbolos e  analogias. A estratégia consistia, entre outros fatores, em utilizar referências lógicas do cotidiano existencial humano, tornando os comunicados memoriáveis e mais facilmente transmitidos (mesmo oralmente), mas não conferia o poder do enunciador aos enunciados, estes não eram um fim em si mesmo.
Um destes símbolos recorrentes na Bíblia são os números...                   


O número 12: Refere-se principalmente às 12 tribos de Israel e aos 12 discípulos de Jesus.
A visão G12 nasceu dessa escolha dos 12 discípulos. “O resultado esperado é um avanço em progressão geométrica. A primeira geração de 12 é seguida por uma segunda, de 144, que forma uma terceira, de 1.728, uma quarta de 20.736, e assim por diante.”

O número 40:  quarenta anos no deserto, 40 dias de jejum de Moisés, caminhada de Elias, tentação de Cristo, etc...
É muito utilizado para significar “uma geração”, e muitos tentaram prever a volta de Jesus através deste: “40 anos depois da restauração de Israel, por exemplo, o que daria 1988. Depois, como nada aconteceu, até uma pregadora do porte de Valnice Milhomens caiu na tentação de marcar a data para 2007, raciociando que depois da guerra dos Seis Dias, em 1967, mais 40 anos, daria 2007. Mais um tiro n'água.”

O número 7:  Deus fez o mundo em 7 dias, o candelabro tem 7 braços, o povo deu 7 voltas e Jericó, etc, etc... Este “é ainda mais ‘forte’, como se uma campanha de 7 dias de oração tivesse todo o poder atribuído a esse número: é o número de Deus, o número da plenitude, da perfeição.”
Ainda temos outros: O número 70: Os enviados por Cristo eram 70...  O número 4: Os 4 homens na fornalha... O número 3:  Jesus ressuscitou ao 3º dia... etc, etc, etc.


Se tivéssemos de nos servir de tantos números e suas combinações para criar subsídios para nossa fé teríamos que viver da Numerologia, pois qualquer um deles pode ter uma interpretação profética. “Para fazer uma campanha ou um método de crescimento de sucesso basta escolher algum número bíblico e, em cima dele, forjar uma doutrina de mistério e poder sobrenatural.”
Foi o que ocorreu na Igreja Renascer, em que “a obra de reforma durou 52 dias, e por isso o dono do empreendimento, ‘apóstolo’ Hernandes, passou a se achar um novo Neemias, pois Neemias reconstruiu as muralhas de Jerusalém em prazo igual, 52 dias. Mas se a reforma tivesse durado 49 dias, provavelmente ele diria que, como 49 dias são sete semanas, talvez a comparação fosse com o profeta Daniel. E se fossem 48 dias, diria que 4 mais 8 é igual a 12, número bem bacana: 12 tribos, 12 apóstolos, 12 portões da Nova Jerusalém, 12 pedras no peitoral do sacerdote”, etc.

E também há os cultos e vigílias "de 12 horas, com 12 pastores, 12 cantores e 12 orações, resultando em 12 meses de bênçãos. Mas se alguém fizer 13 ou 11 orações (de repente chegou atrasado, e não esteve nas 12 horas), será que a bênção para ele será reduzida? Ou aumentada?”

Tudo não passa de superstição, “um pé-de-coelho para dar sorte, ou como “mandar rezar uma novena na igreja católica. Quando se dá uma ênfase desnecessária a um método, transpõe-se para ele o poder para se chegar ao objetivo desejado. Além da superstição, há a clara alusão à uma barganha com Deus: eu fiz as 7 orações, então o Senhor tem que cumprir sua parte no acordo.
Gostamos de falar mal das religiões místicas, mas adoramos uma superstiçãozinha gospel!”

Nos anos 80 e 90, quando algumas igrejas começaram a adotar o método de campanhas, “o intuito era simplesmente o de manter os fiéis “interessados”, freqüentes no culto, e também como meio de evangelização. Hoje a coisa degringolou de vez, tornando-se, além de uma panaceia para a mesmice da igreja, algo “quase palpável”, onde os os fiéis podem se segurar, uma vez que o Deus que é pregado está muito distante, embora diga-se nos cultos que Ele sempre está ali. Se não posso ver a Deus, sei que Ele me obedecerá, ou melhor, me abençoará, pois estou cumprindo com minha parte no ritual.”

Enfim, essa tal numerologia gospel não passa de apego a rituais, prática que já se transformou em modismo pseudo-teológico.

(Introdução nossa -  Com informações dos blogs  “Uma estrangeira no mundo” e “Doa a quemdoer”)


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